John Bowlby nasceu em Londres em 26 de fevereiro 1907 em uma família de classe média alta Foi um britânico psicólogo, psiquiatra e psicanalista, notável por seu interesse no desenvolvimento da criança e por seu trabalho pioneiro na Teoria do Apego. Ele era o quarto de seis filhos e foi criado por uma babá na moda britânica de sua classe na época. Seu pai, Sr Anthony Bowlby, foi cirurgião do rei. Normalmente, Bowlby via sua mãe por apenas uma hora. Como muitas outras mães de sua classe social, ela considerou que a atenção e o afeto dos pais levariam a perigosa deterioração das crianças. Bowlby teve sorte que a babá de sua família estava presente em toda a sua infância. Na idade de sete anos, ele foi mandado para um internato, como era comum para os meninos do seu estatuto social. Em seu trabalho de separação: ansiedade e raiva, ele revelou que ele considerou como um momento terrível para ele. Mais tarde, ele disse: "Eu não mandaria um cão para fora de casa antes dos setes anos “. Por causa de sua experiência como uma criança abandonada, ele demonstrou uma sensibilidade para o sofrimento das crianças durante toda a sua vida. No entanto, Bowlby considerou internatos apropriados para crianças com oito anos e mais velhos, e escreveu: "Se a criança é desajustada, pode ser útil para ela ser afastada por uma parte do ano aliviando as tensões que produziu as suas dificuldades, e se a casa é ruim de outras maneiras a mesma é verdadeira. A escola tem a vantagem de preservar os laços da criança em casa mesmo que de forma um pouco atenuada, e a criança que vai para a escola, não se sente diferente das outras crianças. Além disso, alivia os pais durante uma parte do tempo, assim será possível para alguns deles desenvolver atitudes mais favoráveis para os seus filhos durante o período restante. Bowlby casou-se com Ursula Longstaff, filha de um cirurgião, em 16 de abril de 1938, e tiveram quatro filhos. Morreu em 2 setembro de 1990, em sua casa de verão na Ilha de Skye, Escócia. CRONOLOGIA: Nasceu, em 1907, na Inglaterra e estudou Psicologia, Ciências Naturais e, depois, Medicina. Foi analisado por Joan Riviere, tornando-se membro titular da “British Psychoanalytical Society”. Melanie Klein supervisionou sua primeira análise de crianças. Em 1940, publicou trabalhos sobre a criança, sua mãe e seu ambiente. Três noções básicas fazem parte de sua obra: o apego, a perda e a separação. Em 1948, dirigiu pesquisa sobre crianças abandonadas ou privadas de lar. Em 1950, tornou-se assessor da ONU - adoção de uma carta mundial dos direitos da infância. Em 1951, publicou o seu relatório Maternal Care and Mental Health. Depois de 1950, deu a sua obra um conteúdo cada vez mais biológico. 2) FOCO DE ESTUDO: “Relações objetais” O vínculo da criança com a mãe (ou substituto) - pedra fundamental sobre a qual se edifica a personalidade da criança. Os efeitos patológicos da separação precoce mãe-filho – interesse pela forma de minimizar as conseqüências na criança da perda dos pais. Os teóricos concordam que os bebês desenvolvem um forte vínculo com a figura materna no primeiro ano de vida. Entretanto não são unânimes a respeito de: Com que rapidez este vínculo se estabelece; Por quais processos é mantido; Por quanto tempo persiste; Que função desempenha 3) TEORIA DO APEGO: sua obra teórica A. CLASSE DE COMPORTAMENTO SOCIAL: tipo de comportamento que resulta na manutenção da proximidade com sua mãe e seu restabelecimento quando ela diminui. B. TEORIAS VIGENTES NA LITERATURA PSICANALÍTICA E PSICOLÓGICA (em 1958): Teoria do impulso secundário Teoria da sucção do objeto primário Teoria de adesão ao objeto primário Teoria do anseio primário de retorno ao ventre C. CONSTRUÇÃO DE UMA TEORIA ORIGINAL: Teoria do comportamento instintivo (original): O vínculo da criança com sua mãe é um produto da atividade de certo número de sistemas comportamentais que têm a proximidade com a mãe como resultado previsível. Padrões de comportamento que contribuem para o apego: sugar, seguir, chorar, sorrir e balbuciar (chamar). Teoria de controle do comportamento de ligação (nova versão): Num certo estágio do desenvolvimento dos sistemas comportamentais responsáveis pelo apego, a proximidade com a mãe se converte numa meta-fixada. Esta nova versão, embora ainda sustente a anterior, propõe que entre 09 a 18 meses de idade, os sistemas de comportamento se tornam mais refinados corrigidos para a meta. D. COMPORTAMENTO DE APEGO E SEU LUGAR NA NATUREZA. Em algumas espécies, os filhotes nascem num estado avançado que os habilita a movimentar-se em poucas horas, e é observado que, quando a mãe se afasta, ele logo a segue. Como o ser humano nasce muito imaturo e tem desenvolvimento lento, não existe outra espécie em que o comportamento de apego leve tanto tempo a aparecer. F. COMPORTAMENTO DE APEGO NO HOMEM Só muito lentamente, a criança adquire consciência de sua mãe, e só depois de adquirir mobilidade, é que passa a buscar a companhia dela. O vínculo que liga a criança à mãe é a versão humana do comportamento comumente observado em muitas outras espécies animais. G. APORTES TEÓRICOS UTILIZADOS: Etologia Cibernética Teoria da Informação Psicanálise H. MÉTODO: Método experimental 4) NOÇÕES ESSENCIAIS: A. NOÇÃO DE ESTAMPAGEM = IMPRINTING = APRENDIZAGEM PRIMITIVA – em animais: Definição: é a associação entre um padrão complexo de comportamento e um complexo padrão de estímulos presente, por acaso na primeira ou nas primeiras ocorrências deste comportamento (num momento apropriado). Características: Só se dá em um período crítico, sendo, em geral, constituído das primeiras 12 a 24 horas de vida, dependendo da espécie. Não requer reforço primário, como por exemplo, o alimento. A primeira (ou as primeiras) experiência com uma situação é a mais importante. B. NOÇÃO DE ESTAMPAGEM - em humanos O desenvolvimento do comportamento de apego em bebês humanos, embora muito mais lento, é semelhante ao observado em mamíferos não-humanos. Características: Comportamento de apego a uma pessoa preferida desenvolve-se no primeiro ano de vida (existência de um período sensível neste ano). Fase sensível: a partir da sexta semana (antes deste prazo, impossível). Depende de um maior número de experiências com a figura de apego. Não requer o reforço primário, como por exemplo, o alimento. C. TRILOGIA: APEGO, PERDA e SEPARAÇÃO 1) APEGO Definição de comportamento de apego do filho em relação à mãe (contrapartida nos pais: comportamento de cuidar): necessidade primária. Evolução do comportamento de apego: Três meses - a maioria dos bebês já responde à mãe de um modo diferente, em comparação com outras pessoas. Seis meses – quando a mãe deixa o quarto, a criança chora. Quando ela regressa, a criança a acolhe com sorrisos, agitação dos braços e gorjeios de prazer. Nove meses – a criança segue a mãe quanto ela sai do quarto (engatinhando). Durante o segundo e a maior parte do terceiro ano, o comportamento de apego não revelará menos intensidade e nem menos freqüência do que no final do primeiro ano. No quarto ano de vida, o apego se manifesta de modo menos acentuado e menos freqüente, pois a criança adquire, pela sua evolução cognitiva, novos meios (utilização de símbolos, construção de estratégias, atração por outros centros de interesse). Período de Latência: o comportamento de apego continua sendo um traço dominante em sua vida. Adolescência: o apego aos pais sofre uma mudança. Os outros adultos e os amigos de sua idade podem então assumir igual ou maior importância. Vida adulta: prossegue o vínculo com os pais. Entretanto, o comportamento de apego é dirigido também para pessoas fora da família, que pertencem a outros grupos e instituições. Velhice: o comportamento de apego passa a ser dirigido para membros de gerações mais jovens. Funções do comportamento de apego: Proteção Socialização Tipos de apego: Apego Seguro: A criança tem a certeza de retomar o contato com sua mãe se desejar e no momento que desejar; o bebê torna-se então capaz de explorar seu ambiente. Apego Inseguro: Mãe presente fisicamente, mas insensível às necessidades de seu filho. Mãe ausente, às vezes, temporariamente e, às vezes, definitivamente (perda, luto). Mãe lançando ameaças de rejeição (abandono, deserção da família pelo suicídio) 2) SEPARAÇÃO: Separação de curta duração: a criança teme perder a sua mãe e desenvolve o medo de uma nova separação. O medo da separação: está ligado ao medo surgido em inúmeras situações que não representam nenhum perigo real (por exemplo: medo do escuro, de um lugar desconhecido, de um movimento brusco), mas que têm em comum estarem associados a um risco “aumentado” de perigo. 3) PERDA: Ameaça de perda: cria ansiedade Perda real: cria o desespero, até a depressão. Protesto: a criança chora e tenta recuperar o objeto perdido Desespero: alternância de raiva e de tristeza, constatação de um fracasso que a deixa desamparada. Desapego: ela renuncia definitivamente. Bowlby permanece um membro reconhecido na Sociedade Psicanalítica Britânica, ainda que seus trabalhos o tenham distanciado de Freud, o que ele não desejava no início. Ele abriu novas linhas de pesquisa ao retomar, pelo método experimental, a ontogênese da relação objetal e o estudo das defesas. Ele trouxe ao clínico um novo modelo de problemas psicopatológicos.
Bibliografia:
Bowlby J., As origens do apego. In: Uma base segura: aplicações clinicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas; 1989.
Bowlby J., Formação e rompimento de vínculos afetivos. In: Formação e rompimento de laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes; 1997.
Bowlby, J., 1984.a, Apego - Apego e Perda, - vol. 1 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J.,1984.b, Separação - Angústia e Raiva, - vol. 2 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J., 1985, Perda - Tristeza e Depressão, - vol. 3 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J., 1989, Uma Base Segura, Porto Alegre, Ed. Artes Médicas.
Bibliografia:
Bowlby J., As origens do apego. In: Uma base segura: aplicações clinicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas; 1989.
Bowlby J., Formação e rompimento de vínculos afetivos. In: Formação e rompimento de laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes; 1997.
Bowlby, J., 1984.a, Apego - Apego e Perda, - vol. 1 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J.,1984.b, Separação - Angústia e Raiva, - vol. 2 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J., 1985, Perda - Tristeza e Depressão, - vol. 3 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed., Martins Fontes.
Bowlby, J., 1989, Uma Base Segura, Porto Alegre, Ed. Artes Médicas.